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Fonte: G1-Noticias

Parabéns para nossas canções (II)
Colocado por: 2019-10-08 13:38:36
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Partindo dos ioiôs e iaiás de “Brasil pandeiro” – e da trilha sonora da nova novela das seis – proponho que ao menos se pense em comemorar o aniversário de mais uma canção brasileira. No caso, os 90 anos de “Ai, Ioiô”, música de Henrique Vogeler, letra de Luís Peixoto e Marques Porto.

“Ai, Ioiô” não teve a carreira internacional de “Aquarela do Brasil”, não é tão conhecida quanto “Carinhoso”, nem inspirou polêmica como o samba de Assis Valente que Carmen Miranda rejeitou. Entra para a história por ter sido o primeiro samba-canção, aquele que serviu de modelo para todos os outros feitos ou popularizados depois de 1929. E também por ser, por sua beleza e seu apelo, um samba-canção eterno. Está na trilha sonora de “Éramos seis”.

Henrique Vogeler compôs a melodia para o teatro. O sucesso, porém, custou, como contam Jairo Severiano e Zuza Homem de Melo no primeiro volume de “A canção no tempo”:

“... até conquistar a preferência do público, esta canção recebeu três versões de diferentes de letristas: a primeira, de Cãndido Costa, com o título de “Linda flor”, lançada por Dulce de Almeida na comédia “A verdade do meio-dia” e gravada por Vicente Celestino; a segunda, de Freire Júnior, com o título de “Meiga Flor”, gravada por Francisco Alves; a terceira e definitiva, de Luís Peixoto, cantada por Aracy Cortes na revista “Miss Brasil” e no disco com o título de “Iaiá”, mas que se tornou mais conhecida como “Ai, Ioiô”.”

Marques Porto aparece como letrista ao lado de Luís Peixoto por ser um dos revistógrafos de “Miss Brasil”. Estrela do espetáculo, Aracy Cortes foi quem pediu a Peixoto que fizesse a nova letra. Tinha motivos pera não gostar das duas anteriores. A gravada por Celestino: “Linda flor, tu não sabes talvez/Quanto é puro o amor que me inspiras, não crês”. A de Francisco Alves: “Meiga flor, não te lembras talvez/Das promessas de amor que te fiz, já não crês.”

Tudo isso aconteceu entre março e novembro de 1929. Inclusive, e principalmente, Aracy Cortes cantar com bossa, marota ingenuidade e insinuantes gestos a letra feita para ela: “Ai, Ioiô, eu nasci pra sofrê/Fui oiá pra você, meus oínho fechô/E, quando os óio eu abri/Quis gritá quis fugi, mas você, eu não sei por que, você me chamô...”

Desde então, o samba-canção tem ganho novas e boas interpretações por várias de nossas melhores cantoras. Em alguns casos, com indevidas revisões de gramática. Mas nenhum copidesque tira o sabor de versos como “Ai, Ioiô, tenha pena de mim/Meu Sinhô do Bonfim pode inté se zangá/Se ele um dia soubé/Que você é que é/O Ioiô de Iaiá.”

A excelente trilha sonora da nova versão de “Éramos seis” traz “Ai, Ioiô” de volta. O primeiro samba-canção e outras memoráveis modas de antigamente, embora nem sempre a época de cada uma coincida exatamente com a da ação da novela. Mas não importa.

A qualidade da trilha (pelo menos até agora) está no clima que a música cria, com as canções e também com a eficiente partitura orquestral assinada por Victor Pozas e Rafael Langoni. O que, ao menos no diz respeito a “Ai, Ioiô”, vale como comemoração.


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