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Fonte: G1-Noticias

'Ensinar me ajudou a vencer', diz professora que superou dois abortos e venceu o câncer
Colocado por: 2019-10-15 13:22:25
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O quadro negro, o giz e a sede de ensinar foram algumas das coisas que fizeram com que uma professora de Curitiba superasse as dificuldades durante a vida.

Angélica Bortolotto Irala, de 42 anos, sofreu dois abortos – um aos seis meses, em 2009, e o outro aos nove meses de gestação, em 2015.

Anos depois, mais uma notícia triste. Em abril deste ano, descobriu um câncer no ovário.

“Ensinar e a vontade de continuar tentando transformar a vida de algumas pessoas me moveu, me inspirou e, com certeza, me ajudou a vencer tudo isso", contou ela.

Atualmente, Angélica dá aulas nos três turnos. De manhã e à tarde em turmas de 5º ano em uma escola particular e à noite em um colégio estadual com ensino fundamental II e médio. Ela sai de casa todo os dias às 7h e volta por volta das 23h.

"Dou aula há 15 anos. Durante esse tempo fiquei afastada por quatro meses para fazer uma cirurgia incisiva devido ao câncer, mas a gente não pode se entregar. Eu acreditava na cura e me fiz estar 100%. O carinho, apoio e incentivo dos alunos me reerguiam", disse ela.

A professora também disse que o apoio do marido Jair e da filha Luíza, de 18 anos, também foram essenciais. Para não ficar distante da família, ela dedica os fins de semana e as férias somente para eles.

Apoio do esposo Jair e da filha Luíza, de 18 anos, também foram essenciais na superação  — Foto: Arquivo pessoal/Angélica Bortolotto IralaApoio do esposo Jair e da filha Luíza, de 18 anos, também foram essenciais na superação  — Foto: Arquivo pessoal/Angélica Bortolotto Irala

Apoio do esposo Jair e da filha Luíza, de 18 anos, também foram essenciais na superação — Foto: Arquivo pessoal/Angélica Bortolotto Irala

Nascida em Formigueiro (RS), Angélica começou a se apaixonar pela docência quando tinha 18 anos. Segundo ela, a escolha pela profissão se deu após observar como outra professora, a Helena Mota, agia dentro da sala de aula.

"Ela transbordava comprometimento com o ensino, ela tinha um zelo, um cuidado, um carinho pelos alunos. Não era sempre mansa, mas era correta e justa. Não tem como não se inspirar. Ela me encantou por querer fazer a diferença na vida daquelas crianças", relatou.
Professora ensina crianças nas manhãs e nas tardes, e a noite trabalha com adolescentes e jovens — Foto: Arquivo pessoal/Angélica Bortolotto IralaProfessora ensina crianças nas manhãs e nas tardes, e a noite trabalha com adolescentes e jovens — Foto: Arquivo pessoal/Angélica Bortolotto Irala

Professora ensina crianças nas manhãs e nas tardes, e a noite trabalha com adolescentes e jovens — Foto: Arquivo pessoal/Angélica Bortolotto Irala

Para Angélica, o papel dos professores sempre foi fundamental, mas nos dias atuais é ainda mais, pois os profissionais precisam ir além dos conteúdos disciplinares.

"Muitos dos alunos depositam em você perspectivas, pedem conselhos e se inspiram. Por isso, mais do que nunca, temos que estarmos fortes e antenados para saber ouvir e saber olhar o aluno como um outro ser humano, que também sofre, tem problemas e nem sempre está feliz", explicou.

A professora ensina às crianças durante as manhãs e tarde, e durante a noite trabalha com adolescentes e jovens de 15 a 25 anos

"É preciso e é possível transformar o mundo um lugar melhor. A educação faz parte dessa mudança, na verdade para mim a educação é tudo. Estamos ajudando a construir seres humanos, é necessário observá-los a partir de sua essência", contou.

Angélica veio morar em Curitiba em 2009 após uma proposta de emprego do marido.

Quando a filha Luíza ainda era pequena, Angélica teve frustrado o sonho de uma nova gravidez por duas vezes. Segundo a equipe médica, ela uma situação patológica hereditária que provoca o aborto.

"Não foi fácil. Nem tinha como ser, não é? Mas faz parte da vida. Eu aprendi a lidar com a morte de uma forma mais natural, mesmo sendo momentos muito ruins. Eu tive que colocar na cabeça que tinha uma filha que estava viva e tinha também meu esposo que cuidava de mim".

Porém, em abril de 2019, a professora descobriu um câncer nos ovários.

"Esse foi o maior desafio, mas hoje posso dizer que cumpri o meu papel. O amparo realmente fez a diferença na minha vida. Aquelas pequenas vidas que me encontravam todos os dias na escola me incentivavam, assim como a minha família", disse ela.

O quadro negro, o giz e a sede de ensinar foram algumas das coisas que fizeram com que Angélica superasse as barreiras — Foto: Arquivo pessoal/Angélica Bortolotto IralaO quadro negro, o giz e a sede de ensinar foram algumas das coisas que fizeram com que Angélica superasse as barreiras — Foto: Arquivo pessoal/Angélica Bortolotto Irala

O quadro negro, o giz e a sede de ensinar foram algumas das coisas que fizeram com que Angélica superasse as barreiras — Foto: Arquivo pessoal/Angélica Bortolotto Irala

Com o quadro de saúde normalizado, Angélica apenas realiza acompanhamento médico. Segundo ela, os pequenos momentos hoje são vistos de uma forma diferente e mais bonita.

"Nós só temos essa vida para fazer acontecer. Dificuldades vão existir sempre, todos os dias. Não estamos sempre alegres, mas estamos vivos. É um dia de cada vez, uma batalha de cada vez", relatou.

A professora afirma que independentemente da profissão, todos podem fazer a diferença.

"Se antes já buscava ser melhor, hoje penso: como que eu gostaria que um professor fosse para o meu filho? Assim conseguimos pensar no quão valioso é estar onde estamos e fazer o que fazemos. Nada é mais gratificante do que ouvir: 'você me ajudou a passar no vestibular', 'lembrei de você enquanto fazia aquela questão da prova' ou 'nunca vou esquecer da sua lição de vida'. Portanto, para mim isso basta", concluiu.

Com a situação já normalizada, Angélica apenas realiza acompanhamento médico — Foto: Arquivo pessoal/Angélica Bortolotto IralaCom a situação já normalizada, Angélica apenas realiza acompanhamento médico — Foto: Arquivo pessoal/Angélica Bortolotto Irala

Com a situação já normalizada, Angélica apenas realiza acompanhamento médico — Foto: Arquivo pessoal/Angélica Bortolotto Irala


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